sábado, 1 de novembro de 2008

FINADOS - DIA DE PENSAR NA VIDA

RASCUNHO ONLINE


Este é um dia especial para que se faça uma reflexão sobre a vida. Não a vida após a morte, mas esta vida de agora. A outra vida para mim é uma realidade futura, e, apesar das naturais dúvidas de quem raciocina cartesianamente, me apego à crença que devo me credenciar, pela via do amor, em meu dia-a-dia, para que ela seja plena futuramente.
Gosto da "Filosofia Integral" do professor e filósofo Huberto Rohden, onde ele diz que, na vida, devemos equilibrar valores. Que o espírito e a matéria têm importâncias distintas, mas que um completa o outro. Porém, os valores ligados ao espírito devem prevalecer, já que um é substância, o outro, a circunstância; o espírito está ligado ao sujeito, a matéria, ao objeto; o primeiro, ao centro, o segundo, às periferias. E, dando uma dose de humor para deixar bem claro a necessidade deste equilíbrio, acrescenta... "corpo sem espírito é cadáver e espírito sem corpo é fantasma".
Mesmo com os sofrimentos que atropelam a vida desde que o mundo é mundo, ainda não conseguimos estabelecer prioridades na relação espírito/matéria, ainda não adquirimos sabedoria necessária para banir de nossos corações sentimentos e atitudes como cobiça, avareza, inveja, maledicência, vaidade, ódio, intolerância, mentira, preconceito, mas sobretudo, orgulho e egoísmo.
Será que nunca aprenderemos com nossos erros? Será que, indefinidamente, continuaremos a ignorar os ensinamentos da História?
Finados é a oportunidade para esta reflexão.


RENASCER
Na agonia da tarde,
precedendo as sombras da noite,
a claridade é tragada
como se fosse para sempre
Pondo-se entre montanhas
que antes iluminara,
deixa o sol, as estrelas,
em inefável beleza.
Embaixo, um rastro sombrio,
ocultando todos os caminhos,
deixando perdido nas trevas
quem só usa os sentidos.
Sensíveis observadores
que transformam-se ao olhar para o alto,
vislumbrando na imensidão do cosmo
os mistérios da perfeição.
Fechando um círculo de luz,
no breve giro da terra,
limita o espaço infinito
com o brilhante azul da manhã.

Para a querida Marietaa Tieta do meu coração, que me inspirou nestes versos, abrindo novas perspectivas para a morte.


19 comentários:

Natania Nogueira disse...

Não tenho problemas com a morte e acho que ela é um ótimo tema para uma aula. Rituais antigos, pirâmides, múmias, nada mais são do que a morte presente na história. Acho engraçado as pessoas não conseguirem digerir a morte hoje e apreciar os vestícios dela que são deixados pelos nos antepassados.

Vanessa Tostes disse...

A MORTE é algo que me traz um sentimento de reflexão sobre a vida. Morrem-se inoscentes, adoecem-se crianças, acidentes fatais ou estúpidos como cair no banheiro, bater a cabeça, e tial, ou o contrário, uma pessoa sofre um acidente terrível e sobrevive... Como entender a morte?Tenho procurado não alimentar meu medo e minha revolta, pois sei que a morte é algo invencível, e coloca todos, independente de posição social, credo, cor na mesma e única situação: o fim da vida na terra, ao menos.
Não consigo imaginar o céu, o inferno, ou o nada, depois que morremos. Consigo imaginar que devo demonstrar meu amor às pessoas importantes na minha vida, para quando elas partirem eu estar serena ne certeza de que lhes dei meus mais nobres sentimentos, e que devo ser feliz, lutar por meus sonhos, celebrar minha vida. Pois a morte me trouxe essa lição. Ela é imbatível, e cala todos os nossos argumentos, nos reduz literalmente a pó. Engraçado, não tenho medo da minha morte, mas da morte das pessoas que amo.

Amanda disse...

Na verdade sempre evito falar nesse assunto, nunca soube lidar muito bem com ele e com os misterios que o envolve. Acho que é por isso que tenho medo. Medo por nao saber o que vai acontecer depois que partimos. Mas prefiro acreditar que o que nos espera é um mundo em que Deus nos acolhe. Acho que é mais comodo e me faz sofrer menos pensar dessa forma. Talves a morte me espanta tambem, porque espero muito ainda da vida e se eu morresse agora, morreria triste. Vejo o exemplo da minh avó de 88 anos, que hoje conta com orgulho as realizacoes que fez em sua vida e é assim que quero me sentir, com orgulho de ter conseguido alcançar minhas metas para depois pensar no que me espera depois!!

loyana gurgel disse...

A morte não é um assunto bem agradavel para ser cometado, mas é uma coisa que acontece com todo mundo e um dia todos nos vamos ter que morrer. Todo mundo tem medo da morte mas é inevitavel. Muitas mortes sao inconformáveis como gente q matam pessoas inocentes. Espero que eu posssa viver muito tempo pois tenho muito que aproveitar dessa vida aqui em baixo, mas é claro que a vida la em cima é bem melor que aqui em baixo. Deus sabe o que faz!

. disse...

Vanessa, Amanda e Loyna,
Vocês não podem imaginar minha alegria em ver vocês, alunas queridas, de escolas e épocas diferentes,se posicionando diante da vida aqui em meu blog.
Estou "estourando" de felicidade.
Beijos no coração
Fernandão

Bruna disse...

Belíssimas palavras Fernandão...
Também acredito que a morte traz uma reflexão por parte das pessoas ainda vivas. No momento em que perdemos alguém querido, faz-se necessário refletir sobre nossas atitudes perante aquela pessoa e aos que estão em nossa volta. Nossa missão aqui não é cultuar a morte, mas sim aproveitar com respeito, solidariedade e sabedoria nossas vidas para que quando morrermos, possamos deixar algo de bom à todos que nos cercaram.
Abraços, Bruna (Tide)

kyvia disse...

A morte é algo que ninguém pode escapar. A morte é o passo seguinte da vida, mas antes de tudo, é um desafio para se enfrentar sem medo. Para se morrer bem, é necessário se viver bem, aproveitar cada momento como se fosse o último, e sempre sabendo q Deus sabe o tempo certo de cada um aqui na Terra. Não sei o que vem após a morte, mas creio que seja algo bom e que estaremos num lugar muito melhor!

. disse...

Idem para Bruna e Kyvia

. disse...

Oi Fernando!
Tudo bem?
Tentei postar um comentário no seu blog, mas não consegui. Eu havia escrito o seguinte: "Creio que a morte seja apenas uma passagem do espírito para outro plano. O que morre é a materia, que consiste em um meio de vida terrena que nos possibilita a busca da evolução. Assim, o dia de finados é uma boa oportunidade para refletirmos acerca da forma como temos conduzido a nossa vida e avaliarmos se as nossas atitudes estão contribuindo para nossa evolução espiritual. Uma forma de progredirmos é aprendendo com a história, com os erros cometidos, seja por nós ou por outrem".
Bjs
Priscilla

Kelly disse...

Bom, pra mim a morte é a única certeza que temos na vida...
Como comentou a Vanessa Tostes também não tenho medo de morrer, mas tenho pavor só de pensar em perder alguém que amo.
De qualquer forma, faz parte da vida né? E eu acredito em "vida" após a morte.
Bjão

Beth Vitória disse...

Seu convite e belo texto sobre o Dia de Finados me fez lembrar imediatamente o seguinte poema:

Momento num café
(Manuel Bandeira)


Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.



Com intenso lirismo o poema reflete diferentes atitudes em relação à morte: uma que a encara de modo cotidiano e outra que busca um sentido geral para ela. Há a idéia tão bem reforçada da passividade dos homens em relação à vida. É comum aceitar e se aderir à rotina da vida, que caminha inevitavelmente para a morte: morte uma conseqüência da vida. E com ela, a morte, a alma pode enfim se libertar. A vida é uma dádiva, mas gosto desta idéia, talvez muito romântica, de libertação!



Abraços.


Beth Vitória Rezende

Márcia Paganella disse...

Fernando demorei para postar, pois esse assunto hoje me trás dor, recentemente perdi um grande amigo...acredite por circunstancias e certamente não por acaso ele morreu em meus braços. Mas sobre a morte o que penso.....
Há algum tempo atrás eu pensava na morte como um momento de partida para um mundo melhor...simples assim...
Hoje penso diferente e principalmente depois dessa experiência q tive... Um grande amigo se transformou em um coração que não batia mais, um corpo sem espírito que em instantes ficou em minhas mãos como uma roupa que ele não precisava mais vestir....
Hoje vejo a morte como uma transição, o fechamento de um ciclo e o começo de outro numa espiral continua, jamais com um ponto final. Porque nosso espírito é imortal e nossa evolução não se encerra.
A Morte interrompe freqüentemente os planos e os interesses humanos, mas não faz que cessem o ódio e o amor, a simpatia e a hostilidade, porque a vida prossegue em outras dimensões.
Ao me consolar outro amigo disse: “Márcia ter saudade é bom, aquela saudade dos momentos agradáveis, das risadas, das conversas...mas sofrer não, sofrer perturba o espírito desse teu amigo que partiu....”
Portanto ter saudade é bom, sofrer não....desse anjo querido que cruzou meu caminho recordo com ternura sem desespero, liberto-o e o entrego a Deus.
Sobre o assunto em pauta eu resumiria que acredito no “depois” que não deixamos de existir no momento da morte, portanto nossas escolhas refletem em nosso futuro nesse mundo ou em outras orbes. Devemos evoluir sempre, encontrar o equilíbrio em tudo e ser feliz....
Abraços fraternos...

Aryana disse...

Acho muito difícil pensar em um assunto como este. Por isso, me consolo com esta linda passagem de Santo Agostinho:

A Morte não é Nada
" Santo Agostinho "


"A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

...Não é lindo?

vieira400anos disse...

Prefiro falar da oposição: Vida!quem acredita em Deus sabe que ele nos dá( no presente mesmo) a vida que já está em nosso coração, em nossa ressurreição diária com Ele.Porém,o desconhecido assusta.
Já que seu tema predileto é navegar...
"Deixemos Deus conduzir nossa pequena embarcação:se ela lhe for util, ele vai guardá-la do naufrágio"São Vicente de Paulo,
e ainda:
"Deposita teu fardo naquele que tudo pode carregar"Tagore.Dadace(Profª Maria das Graças de Oliveira Castro)

vieira400anos disse...

Achei este poema de Pe. Anchieta:
"Como vem guerreira
a morte espantosa!
Como vem guerreira
e temerosa!
a uns caça quando comem
sem que engulam o bocado.
Outros mata no pecado,
sem que gosto nele tomem.
Quanto menos teme o homem
a morte espantosa,
como vem guerreira e temerosa!"

Mensageiro- novembro 2008

Muito bom este seu blog e a disposição dos participantes! Parabéns pela "provocação" que faz todo mundo se colocar!
Dadace

vieira400anos disse...

Ariana,
De onde você tirou esta poesia de Santo Agostinho sobre a "indesejada das gentes"?
Gostaria de saber!
Dadace

Aryana disse...

Foi uma prima que perdeu o pai a poucos meses que me enviou...

Marcinha Girola disse...

Bom, eu sempre tive uma visão muito diferente da maioria das pessoas... Não me preocupava com a morte em si, mas com o fato de, por exemplo, sofrer um acidente e ficar vegetando. Isso sim, seria um pouco mais difícil eu assimilar.
A pessoa mais especial da minha vida, deixou essa vida há uns 10 anos... nem sei ao certo, pq não me prendo a datas... Minha bisavó. Diferente de muitas crianças, era na casa dela que eu passava as férias da escola, ela me ensinou a rezar o terço e outras orações, me levava em Igrejas e em centros espíritas, embora eu não entendesse isso na época. Quando ela ficou doente, eu chorava todos os dias, pois não queria, nem podia perdê-la. Ela sempre dizia que queria reunir toda a família num domingo de páscoa... e não parecia justo ela ir embora... Mas foi, lembro q foi num domingo q recebi a notícia, só consegui deixar cair uma lágrima. Era domingo de páscoa. Estavam todos lá, reunidos, no velório, sem brigas. Todos diziam que eu podia chorar, que não era feio, que sabiam o quanto eu era apegada a ela. Mas eu disse: não quero chorar, essa daí não é minha bisavó. (Ela estava inchada, e com uma coloração estranha...) Prefiro lembrar de como ela era quando viva, os carinhos, a atenção, tudo... Pena que era muito nova e não aprendi a cozinhar tão bem quanto... rsrs

Chikita Bakana disse...

Não tenho medo da morte, tenho sim medo de ficar aqui sem as pessoas, que são poucas, que são essenciais para a minha vida, para a minha respiração, para o meu levantar da cama e continuar vivendo...
Penso sim que a morte, para mim, será um descanso, pois acho que viver é muito penoso.
Abraços,

Rita Barroso
http://www.chikitabakana.com/