quarta-feira, 8 de julho de 2009

MORREU MEU AMIGO “CONÓRIO”



O filósofo, geólogo e padre Teilhard de Chardin, em um debate de idéias com um amigo, também padre, fez a seguinte consideração sobre o tempo: "- Padre, o Sr. acredita que Deus poderia criar, aqui e agora, instantaneamente, uma esfera perfeitamente redonda, feita de madeira?" Perguntou Teilhard.
- "Perfeitamente! Para Deus nada é impossível, já que é onipotente, e, por isso, pode tudo”, respondeu-lhe o amigo.
“Pois para mim, Deus para criar uma simples esfera de madeira, teria que querer a criação inteira e desencadear novamente todo o processo da evolução: A matéria, a vida, os vegetais, a árvore... de um lado; e, de outro, os animais, os mamíferos, os primatas, os homens, o homem habilidoso capaz de forjar ferramentas, cortar a árvore e moldar uma esfera... Deus, já se vê, levaria então mais alguns bilhões de anos para fazer esta esfera... E então já não seria mais aqui, nem agora”.
Anteontem morreu de infarto meu amigo Chico Honório, uns dois ou três anos mais novo que eu... a vida inteira uma criança cheia vitalidade e alegria, e eu, sedentário tomador de cerveja, coloquei minhas “barbas de molho” e comecei a refletir sobre esse tempo cronológico, que embranquece cabelos, faz as pessoas a nos chamarem de “senhor” e que sempre leva embora pessoas queridas.
O tempo de vida é a nossa moeda pessoal, que não foge à "lei da oferta e da procura", quanto mais se tem, mais se desvaloriza, por isso, é preciso que se crie lastros para estabilizá-la, não deixando que a ilusão da idade comprometa nossa precária economia existencial em relação as rápidas e progressivas desvalorizações diante ao poderoso "euro" da juventude.
Hoje, da mesma forma como o mundo ficou abalado com a crise de 29 ou a atual crise imobiliária americana, diante desta perda repentina de um amigo, minha economia pessoal também entrou em “depressão”... deu um "crack".
Mas como aconteceu na primeira crise e está acontecendo nesta última, alguns países como o Brasil já estão dando sinais de recuperação, por isso sei que esta minha crise pessoal também será passageira e que sua principal conseqüência será reafirmar e me fazer refletir mais um pouco sobre o que realmente tem importância, e, com isso, avançar e evoluir, mostrando que talvez seja esta a únicarazão de tanta dor e sofrimento.
As pessoas lotam igrejas buscando prodígios para resolver problemas inerentes à vida e à sua transitoriedade, e, já que a dor nem sempre tem a duração que gostariam, e porque sabem que "para Deus nada é impossível, já que é onipotente, e, por isso, pode tudo", sempre querem para que Ele "opere milagres"... que mova montanhas ou ressucite mortos.
Teilhard de Chardin deu este lastro divino ao tempo, mostrando que Deus não transgrediria suas próprias leis para adequá-las aos limitados e estreitos conceitos humanos de temporalidade e materialidade e, a despeito de todos os nossos imediatismos, o tempo será para sempre o que sempre foi...o único e o verdadeiro senhor da razão.

Francisco Honório, marido da Edméia, professora da APAE-Muriaé, acompanhando a esposa em uma das inúmeras "festas de comemorações". Chiconório trabalhou comigo por quase cinco anos na Covepe-Muriaé, de 1975 a 1979.

Não tenho fixação pelo tema, mas já falei neste assunto aqui


EXTRAÍDO DO BLOG DO PEDRO DA VEIGA

3 comentários:

Franz disse...

Belo texto, Fernandao. Franz

Elis Zampieri disse...

Bem dizia o poeta que da dor se faz poesia. Que primor de texto Fernando!
Sentimentos pela perda do amigo.

Sua esposa trabalha na Apae ainda então, Fernando... Vi na homenagem que fez pra ela do dia dos namorados. Pois é, ela deve adorar, como eu! :-)

Bjos amigo!

pedagogica mente blogando disse...

oi,fernando.em primeiro lugar parabéns pela reforma do blog.ficou trilegal!
segundamente, teu amigo deve ter sido muito bom mesmo, pra merecer uma homenagem tão delicada e tocante.
super beijo,vera

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