sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PRIVATIZOU? DANÇOU!

RASCUNHO ONLINE


       Na cerimônia religiosa  no batizado do meu neto Rafael, em Santos-SP, na entrada da igreja foi distribuído folhetos para o acompanhamento da missa, com todos os ritos e cânticos. Eu, de pé, no lado do corredor central da igreja, apenas lia a letra das músicas. De repente levei um leve soco do padre no ombro, e com um sorriso nos lábios apontou para o folheto mandando que eu também cantasse... Imediatamente, surgiu uma simpatia recíproca entre nós, que se estendeu por toda a missa do batizado, ele, enquanto falava, estava sempre me olhando nos olhos com um irresistível sorriso... O padre é tão bom que provavelmente todos devam ter sentido essa mesma sensação de acolhimento.     
 
     No sermão pediu orações para os funcionários demitidos da Usina Siderúrgica de Cubatão (antiga Cosipa, agora privatizada), que teve um prejuízo de R$ 1,04 bilhão no terceiro trimestre deste ano, e demitiu mais de 2.000 metalúrgicos. De acordo com o presidente da Usiminas essa reestruturação foi necessária  para que a companhia pudesse manter a capacidade de competir num mercado, afetado pela queda no consumo interno e o excesso de produção de aço no mercado internacional.
        Sabemos que inúmeras empresas estatais mantem suas despesas sem o equivalente em receita, e um exemplo emblemático foi a Petrobrás vendendo gasolina barata e comprando caro no mercado internacional, provocando recessão e inflação, pior, em casos como esse, é que a quantidade de desempregados não é claramente percebida como aconteceu com os demitidos da Cia de Cubatão, mas a consequência, pelo país afora, supera em dor e sofrimento a quantidade dos que perderam o emprego na Usiminas.
          E o padre Javier, mais uma vez olhou bem dentro dos meus olhos e disse:
          - Privatizou? Dançou!
 Dançou? Pensei.
       Solidário com os infortúnios daquelas duas mil pessoas e seus familiares, fiquei pensando no quanto é dolorido contrapor essa visão do sacerdote.
    Quando essa prática é generalizada, com empresas estatais funcionando no vermelho e mantendo funcionários sem que sua produção gere receitas para essas despesas, além de perderem a competitividade, as consequências não são visíveis como acontece com os funcionários demitidos da Cosipa, mas esse dinheiro que o governo cobre os prejuízos falta em hospitais, escolas, segurança, causando dor para um número muito maior de famílias... Onde esses  R$ 1,04 bilhão de prejuízo farão mais falta? Quantas estatais que não foram privatizadas e que estão nessa situação no país?  Sem falar na dor causada pela inflação corroendo salários e um número infinitamente maior de pais de família desempregados que esse tipo de política econômica paternalista provoca, e que o simpático padre sugeriu nas entrelinhas.
   Governo grátis é um mito, distribuir vantagens e ganhos para todos, sem custos para ninguém, está mais para Hans Christian Andersen do que para Paulo Rabello.   









Nenhum comentário: