terça-feira, 3 de julho de 2012

MEU AMIGO VAI SER CREMADO AMANHÃ EM PORTUGAL (MÁRCIO HASTENREITER)

Há dois anos, junho/2010, falei sobre a dor da perda do querido amigo Márcio Hastenreiter... tinha morrido em Portugal no mesmo dia que o Prêmio Nobel, José Saramago, daí o retrato do escritor na abertura.
Hoje consegui e editei o filme de 1960, aqui a cena em que o Márcio aparece:



VÍDEO ACRESCENTADO EM 03/07/2012
POSTAGEM ORIGINAL EM JUNHO/2010


            Morreu ontem, 18 de junho, aos 87 anos em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias o escritor português José Saramago, a morte do escritor de "Ensaio sobre a Cegueira", cuja obra foi traduzida em 56 idiomas, com tiragens de milhões de exemplares, e, apesar da língua portuguesa ter perdido o seu único Prêmio Nobel da Literatura, minha dor é infinitamente maior do que a de todos os aficionados pela literatura... morreu hoje um grande amigo.
            O ano era 1960, eu tinha apenas nove anos de idade, e estávamos todos reunidos, parentes e amigos, em frente ao Cine Brasil Muriaé para assistir o filme “Os Dois Ladrões” , direção de Carlos Manga, com Oscarito, Cyl Farney e Irma Alvarez, em que meu primo, 14 anos mais velho que eu, Márcio Hanstenreiter, fez uma pequena ponta.
            Fora a Lambreta, com a qual desfilava pelas ruas aqui de Muriaé, a cena em que ele aparecia no filme ficou para sempre em minha memória... idealizei nele tudo o que a timidez de uma criança do interior poderia desejar... era o herói que eu queria ser.
            Muito mais tarde, nos anos 70, eu já adulto, trabalhamos juntos no Rio de Janeiro, em uma das lojas de calçados femininos, de nosso tio Dico, e esta admiração e amizade se consolidou para sempre.
            Depois, perdemos o contato... Márcio, aviador, quase não aparecia em Muriaé, separou-se da esposa vinte poucos anos atrás, os dois casaram novamente, ele foi morar em Manhuaçu (MG) e ela, em Belo Horizonte.
            Seus três filhos, o do meio, Luís, amigo querido, tem uma confecção aqui em Muriaé, os outros dois, Márcio Henrique e Afraninho, mudaram-se para Portugal, um dentista e o outro empresário.
            Depois de mais vinte anos separados, o Márcio e a Marisia voltaram a se casar, e uma das comemorações foi aqui em casa, fizemos um churrasco inesquecível, e eu, que tenho mania de fotografar e registrar tudo, talvez pela emoção de reunir pessoas tão queridas, não tirei uma única foto.
            No mês seguinte ao churrasco, os dois foram passear em Portugal, na casa dos filhos... Cheguei a comentar com a Maria Inês (minha esposa) a alegria que deveria ser para o Márcio Henrique e o Afraninho receber a visita dos pais, separados há tanto tempo, agora tão apaixonados.
            Hoje recebi um telefonema do Luis comunicando que o pai faleceu, e que será cremado amanhã em Portugal (...)
20/06/2010:
           
Ontem, ainda muito abalado com a morte do Márcio, depois “muitas” cervejas, terminei a postagem com esta frase: Qual é a importância para mim, hoje, da cremação (também amanhã), do consagrado escritor português José Saramago?
           Como estava em avançado estado “etílico” fiquei pensando em apagar o post, mas lembrei de um fato que ocorreu um pouco antes da última postagem “Rap e Grafite Virtual”, quando recebi da minha querida amiga Marli Fiorentin, do meu grupo de blogs educativos, um e-mail fazendo um comentário sobe a caricatura de Sancho Pança, feita pelo Sinfrônio, das caricaturas da Revista "Nosso Patrimônio", e que a Maria Inês tinha detestado (na parte superior do blog, à direita): “Diz pra Dulcinéia que ela está perfeita”, e, por causa deste comentário, encontrei este poema de José Saramago:
Dulcineia
Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.

           Não acrescentei o poema à postagem, até porque as posturas da Inês não tem nada de "vazio e mudo", muito menos se "alimenta do sangue" deste Quixote aqui, mas esta visão do sonho alimentando a realidade só fez aumentar minha admiração pelo escritor.
           São por estas coincidências corriqueiras, que os pensamentos dos outros (e “outros” aqui tem um peso imensurável) entram em nossas vidas e de lá não saem nunca mais.
           Resolvi deixar a postagem como está, assim, quem sabe, por estes mistérios da vida, mais pessoas fiquem estimuladas conhecer o genial José Saramago...



Veja AQUI os cometários da postagem original


NESTA ESQUINA DO TEMPO

José Saramago
Nesta esquina do tempo é que te encontro,
Ó nocturna ribeira de águas vivas
Onde os lírios abertos adormecem
A mordência das horas corrosivas.

Entre as margens dos braços navegando,
Os olhos nas estrelas do meu peito,
Dobro a esquina do tempo que ressurge
Da corrente do corpo em que me deito

Na secreta matriz que te modela,
Um peixe de cristal solta delírios
E como um outro sol paira, brilhando
Sobre as águas , as margens e os lírios.

2 comentários:

Anônimo disse...

Caro senhor!!!meu nome é luciano da mata hastenreiter filho de gelson afonso hastenreiter neto de sabastião hastenreiter(tatão bombeiro)neste momento a tristeza invade meu coração ao saber que,o grande amigo de meu pai faleceu.tive a oportunidade de conhece-lo quando muito criança pois ele e meu pai eram aviadores em muriaé.Meu pai sempre o referiu com muito carinho e admiração.como diz o poeta"maldita felicidade porque chega e vais tão rápido ,pois cem anos com vc parece um segundo,sou egoista a ponto de defama-la quando vai-se!!!!!! um grande abraço e que esteja tudo justo e perfeito na sua familia.lucianohasten@hotmail.com

Fernandão disse...

Que alegria ver seu comentário no meu blog, e seu pai como está? Certamente ele não se lembrará de mim, mas antes dele fazer vôo solo, várias vezes andei com ele sobre Muriaé no “Paulistinha”, avião de instrução do Aeroclube de Miracema.
Eu, bem mais novo que seu pai e o Márcio, ficava lá no “campo de aviação” mendigando uma carona, e apesar do procedimento ser ilegal porque ninguém tinha ainda o “brevê”, nosso querido amigo Andrade não estava nem aí.
O Andrade era instrutor de voo... Seu comentário me trouxe boas lembranças e muita saudade do meu querido amigo Andrade, que continuou aqui por Muriaé (era de Campos - RJ) até sua morte.
Seu avô, Tatão Bombeiro, outra lembrança querida, sempre fez reparos lá em casa, soldando com maçarico aqueles ultrapassados canos de chumbo, sistema hidráulico de todas as casas naquela época.
Peça seu pai para dar uma olhada neste link, lembrando do papai talvez se lembre de mim: http://bloguetando.blogspot.com.br/2012/03/formatura-do-meu-querido-pai-hormindo.html
Também já trabalhei com sua tia Nina.
Como pode constatar temos ligações com várias pessoas queridas
Abraços fraternos
Fernando