segunda-feira, 27 de julho de 2009

OS PROSELITISMOS RELIGIOSOS E O MEU UMBIGO


           Sinto muito orgulho em ser um “sonhador humanista”, considero esta caricatura de Quixote, aqui ao lado, e a minha apresentação no “quem sou eu”, o meu autoretrato, por isso fiquei chocado com o comentário da Professora, na postagem anterior, quando disse que fiz “pré julgamento”, “generalizações”, “radicalismos” e “interpretações tendenciosas”.
           Concordo plenamente quando ela diz que “não se pode tomar como “padrão de comportamentos” os abusos da Igreja Católica na Idade Média ou a teologia da prosperidade’ como regra de fé para todos que leem a bíblia”. Li e reli meu texto procurando este deslize e não encontrei nada em que tenha estabelecido algum tipo de “padrão de comportamento” entre uma e outra citação.
           Mesmo quando me referi que “as palavras sagradas eram usadas como instrumento de ‘manipulação’ e ‘dominação’”, tive o cuidado de colocar o verbo no passado para não ferir suscetibilidades. Como acho que não pré-julguei, não generalizei ou fiz qualquer interpretação e que só reportei fatos históricos e notícias atuais dos jornais, pensei na possibilidade de que ela tenha se sentido ameaçada em sua crença e “interpretado” como uma ameaça minha postura contra a formação de lobbies religiosos no Congresso por “bancadas evangélicas” que negam o avanço político que houve no Brasil com a proclamação da República, quando a Igreja Católica deixou de ser a religião oficial e o Estado tornou-se laico.
           Encontrei, sim, foi um preconceito explícito contra quem segue a teologia da prosperidade, discriminação muito comum também nesta linha teológica nas pregações de suas emissoras contra outras crenças, particularmente contra as religiões africanas.
           Sou radical e intransigente na defesa da democracia, da pluralidade e das liberdades individuais, e, já que tinha abordado esse assunto anteriormente sobre as eleições no Irã, por isso levantei a hipótese de um Estado Teocrático no Brasil, em que os líderes religiosos passassem a decidir pela maioria, mas sobretudo pelas minorias, impondo, como na Idade Média, comportamentos, leis, etc.
           Foi sugerido um debate sobre o tema, mas prefiro deixar nos “comentários” do blog que as discordâncias e críticas completem naturalmente o assunto, principalmente por se tratar de religião, com verdades estabelecidas e inquestionáveis.
Minha vó já dizia que este “é um assunto que agulha puxa linha e linha puxa agulha”. Apenas um breve comentário gerou esta postagem enorme. A professora sugeriu ainda que eu visitasse um blog criacionista, já imaginaram de quantas réplicas/tréplicas seriam necessárias se eu resolvesse cometer o sacrilégio de dizer que os dinossauros viveram na terra (fato comprovado pela paleontologia) há mais de 250 milhões de anos e que, cronologicamente, isto seria impossível, já que a terra foi criada há apenas 6.000 anos, como afirmam os criacionistas?
           Com uma diversidade tão grande de religiões e tantas “guerras” com esta motivação mundo afora, fico pensando no quanto ainda teremos que evoluir para atingirmos aquele ideal de perfeição e harmonia onde todos “formarão um só rebanho”. A única certeza que tenho é que isso jamais acontecerá através de facciosismos, e sim, através da descoberta íntima do amor puro... incondicional, que nos capacitará a compreender através de nossas próprias limitações, as limitações de nossos semelhantes.
           Com fragmentos de ensinamentos como o do apóstolo Paulo, em Tess 5; 11 "Examinai tudo: abraçai o que é bom", pude, através do ecumenismo e das posturas ecléticas, abrir meus horizontes e expandir minha compreensão para fora da prisão das respostas prontas, opiniões definitivas ou, como diz o humorista Marcius Melhem, das "certezas absolutas".
           Jamais poderemos ter a pretensão de converter um rabino ao islamismo, ou um aiatolá ao judaísmo, o que é preciso é que cada um de nós se transforme em novos homens, sem nenhum apego intransigente à personalidade, etnia, facções sociais, valores materiais e, principalmente, às nossas religiões, partindo para um busca profunda de autoconhecimento, aí sim, nos encontraremos e nos identificaremos com o próximo e nos transformaremos em verdadeiros homens... filhos de Deus.
           Só através do ecumenismo e das posturas ecléticas poderei sair dos limites restritos do meu individualismo e, embora pareça contraditório, a solução está exatamente aqui, em mim, no meu umbigo, já que só amamos plenamente aquilo que conheçemos e entendemos, por isso, a grande revolução está no conhecimento pleno sobre mim, pois só assim estarei apto a compreender e a amar meu próximo como a mim mesmo (“... o segundo semelhante a este é: amarás teu próximo como a ti mesmo. Mt 22:39”).
           Com a quantidade de religiões que existe e as múltiplas guerras com motivações sagradas, fico pensando no quanto ainda teremos que evoluir para atingirmos aquele ideal de perfeição e harmonia onde todos “formarão um só rebanho”. A única certeza que tenho é que isso jamais acontecerá através dos “facciosismos” de quem detém monopólios divinos, e sim, através da descoberta íntima do amor puro, incondicional, que nos capacitará a compreender, através de nossas próprias limitações, as limitações de nossos semelhantes. 

7 comentários:

Cioara Andrei disse...

Foarte interesat subiectul postat de tine, m-am uitat pe blogul tau si imi place ce am vazu am sa mai revin cu siguranta.
O zi buna!

Vacceo disse...

Estoy de acuerdo en casi todo contigo, todo pais que se consedere democratico deberia ser laico, y no financiar solo a una religion. en españa en ese sentido se ha visto en un cambio grande socialmente.
te agradezco tus reflexiones.
vacceo

Dadace disse...

Muito elucidativo esse seu texto. bem escrito e" substancioso" como gosto de ler.Faz exatamente a distinção entre religião de "milagreiros" e a fé esclarecida baseada nos ensinamentos de Jesus ( fé, amor, justiça)no querer( aprendi com o saudoso Pe. Xiko) e na busca, ainda que difícil e aparentemente inglória, do verdadeiro ecumenismo.
Melhor ainda só esse seu blog que nos "abastece" e nos questiona. Até!

Jenny Horta disse...

Amor incondicional!! Amigo Fernando, que belo texto. Meu pai me ensinou que devemos afogar todos os dias o nosso egoísmo no mar da solidariedade. Se lhe perguntasse sua religião ele respondia: "Nossa igreja é a rua, e nosso templo é o coração, onde deves sempre guardar o lugar especial de Jesus." Foi a maior aula de religião que tive na vida!

Semíramis Alencar disse...

Fernando, que inspiração meu caro amigo, gostei muito de seu posicionamento. Se o primeiro mandamento já é difícil de ser cumprido !Amar a Deus sobre todas as coisas" (já conheci gente que ama o futebol e a cachaça primeiro) imagine o segundo "Amar ao próximo como a ti mesmo"
O que falta no mundo é o amor, como a Jenny falou, amor incondicional: aquele que cura feridas, admite os erros e fomenta atitudes construtivas.
Fé, esperança e caridade (três elementos em falta na humanidade)
Abraços Fraternos

Semíramis

Nádia Britto Panaino disse...

Olá, Fernando,
Que bom que vc elucidou as dúvidas que tive ao ler seu texto e me fizeram comentá-lo.

Agora, vc defende a pluralidade de idéias, mas imediatamente combate quando uma vai de encontro às suas convicções. Então, acaba por ser contraditório.

Quando lhe pedi para visitar sites criacionistas, foi exatamente para mexer com seus paradigmas; e vc não aceitou o desafio. Preferiu continuar nos seus próprios dogmas. E se eu lhe dissesse que a datação utilizada pela paleontologia tem discrepâncias em seus pressupostos?O dr. Gentry mostra isso nos seus experimentos, e foi publicado em várias revistas, como, por exemplo, a Nature, Science, e outras.

Mas, respeito suas opiniões. Se vc prefere assim, não é por isso que vamos brigar, não é mesmo? Mas saiba que respeito as demais religiões, e meus amigos e colegas que convivem comigo podem ratificar o que estou afirmando.

Um grande abraço, e vamos continuar neste trabalho, pois é assim que podemos melhor crescer e nos conhecer, certo?

Fernandão disse...

Há muito tempo não comento comentários, mas gostaria de deixar registrado, um ano e meio depois, que a então colega Nádia, tornou-se uma amiga querida, ajudando-me com sua delicadeza e carinho, a rever meus (pré) conceitos, tornando-me mais tolerante e menos presunçoso.