segunda-feira, 20 de julho de 2009

A VELHA POLÍTICA E AS NOVAS TECNOLOGIAS


“(...) As nossas agremiações políticas cuidam mais de resultados eleitorais, e não de matéria relativa aos poderes do Estado (...) homens de Igreja tornam-se políticos, sem na realidade o serem, e o mesmo acontece com outras formas de atividade”... "A CLASSE POLÍTICA" Miguel Reale

Comecei escrever pensando em manifestar minha indignação com os últimos escândalos no Senado Federal, mas depois de ler um artigo na Internet, me deparei com a expressão "coronelismo eletrônico" e resolvi dar outro rumo ao assunto, já que todos os envolvidos nestes escândalos também são proprietários de rádio e/ou TV.
Usei o texto do filósofo/jurista Miguel Reale porque faz uma relação entre comunicação e política, e deu a entender, na frase em destaque, se tratar também daquelas pessoas que trabalham com comunicação (inclusive os proprietários de Rádio e TV), ou aquelas que se comunicam com o grande público no seu dia-a-dia, utilizando-se desta habilidade para tornarem-se "políticos". Inclui neste rol mais alguns perfis que também podem favorecer a uma candidatura ... “médicos caridosos”, “pastores atenciosos”, e tantos outros que canalizam sua simpatia, atenção e solicitude "desinteressada" a este fim... Políticos que, na maioria das vezes "cuidam mais de resultados eleitorais e de seus interesses pessoais do que matérias relativas aos poderes do Estado".
Estes "políticos" e suas práticas fecham, hoje, o grande círculo do poder, ligando as bases eleitorais aos mais altos escalões da República, cujos elos de apoio são os novos líderes políticos, os "coronéis eletrônicos", concessionários de meios de comunicação, cujos "currais eleitorais" se assemelham aqueles da República Oligárquica.
Esta semelhança se dá também na cooptação de votos, na República Velha e por muito tempo ao longo do século passado, os políticos rasgavam uma nota de grande valor ao meio e entregavam uma parte antes das eleições e a outra metade só após o seu resultado, o mesmo acontecia com um pé de botina, dentadura e tudo mais que pudesse ser dividido.
Hoje, no "coronelismo eletrônico", descobriu-se uma maneira similar... os candidatos contratam o trabalho de centenas de pessoas que, devidamente uniformizadas com suas fotos, distribuem “santinhos” às vésperas das eleições e o mesmo valor contratado (a outra metade) é prometido ser pago, após as eleições... a própria miséria e desemprego se encarregam do empenho desses “cabos eleitorais” junto a seus amigos e familiares.
Outra reminiscência da velha oligarquia é a prática de anotar a seção eleitoral de “seus” eleitores... não dá para saber quem votou em quem, mas se o político não foi votado naquela seção, dá para saber que o determinado eleitor não lhe deu o voto, isso aliado à ignorância e a desinformação, faz com que os mais humildes ajam como se o voto ainda fosse aberto e o "coronel" com controle total de seu "curral".
Mas, saindo desse passado tão presente, nada melhor do que a possibilidade do sonho se tornar realidade... Quem imaginaria até bem pouco tempo que um negro ocuparia a presidência dos EUA? E o uso de novas tecnologias na política? Quem conhece a “campanha e-marketing 2.0”, decisiva para que Barack Obama mostrasse ao povo americano a que veio?
E as últimas eleições no Irã? Quando milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã para protestar contra o seu resultado, impulsionadas pela denúncia de fraude na vitória do governista Ahmadinejad. Apesar da censura e da violenta repressão, uma reação anônima de milhares de blogs e Twitters, além de vídeos, a maioria de celulares, foi parar no Youtube, e passaram a mostrar ao mundo que a comunicação, definitivamente, já não é mais como antes.
Dentro destas perspectivas, estes recentes acontecimentos internacionais começam a dar sinais de que esta cultura de enganação também pode ter um ponto final. O Brasil avança a passos largos em direção à "
Revolução da Informação", já é o sexto país do mundo no uso da Internet (mais de 60 milhões de usuários), 160 milhões de aparelhos celulares, e dentro de pouco tempo 100% das nossas escolas estarão informatizadas.
Embora aparentemente impossível, esta transformação revolucionária já começou, e pode não estar tão distante como se imagina, ainda não sabemos o quanto o sonho já está agindo sobre a realidade, mas não custa sonhar.

PERGUNTAS BÁSICAS:
Jornalistas e radialistas, com vínculos empregatícios em emissoras de políticos cumprem, com liberdade e independência, o dever de informar e denunciar todas as mazelas da nossa política?
De onde vem a confiança de um político, que precisa de votos para se eleger, dizer, abertamente, que está se lixando para a opinião pública?

4 comentários:

Nelza Jaqueline disse...

Exatamenteo o que acontece em nosso país... quando em época de eleição "surge" emprego para todos, atrelado ao compromisso de eleger sempre os mesmos roubadores de sempre. E o voto a cabresto ressurge quando mencionas o caso de candidatos a vereadores que controlam as zonas eleitorais para verificarem se obtiveram o número de votos que precisam...

Gostei do texto, vou recomendar a leitura aos meus seguidores do Twitter

pedagogica mente blogando disse...

concordo com você em tudo, fernando.também tenho fé e sonho cpm o dia em que nosso sonho vai ser mais forte e mudar a realidade.mas tenho plena consciência de que ainda demora muito.somos o reflexo de um passado comprometido e isso não se derruba da noite para o dia.e a escola e nós, educadores, temos um papel muito importante nessa mudança.tenho certeza que você,eu e muitos outros estão dando conta dessa responsabilidade. mas é preciso que todos o façam.enquanto alguns olharem para o próprio umbigo fica difícil.grande abraço.vera

Dadace disse...

Fernando,
Seu blog está o máximo:profundo, esclarecedor e com temas que perpassam nossa vida, nossa sociedade.
Este meu irmão é "f....."( não escrevo essa palavra, mas concordo com o sentido dela rsrsrsrsrssrsrss
Parabéns!

Franz disse...

Fernandão, cada vez mais seu blog se torna um espaço obrigatório de visita e leitura. Parabens, companheiro.
Franz