sábado, 6 de fevereiro de 2010

FESTA DA CULTURA - PROJOVEM MURIAÉ

CLIQUE NO VÍDEO PARA VER EM TELA GRANDE


FESTA DA CULTURA


OS PREPARATIVOS E A FESTA

CAPOEIRA

COREOGRAFIA E BAILE FUNK (Fernandão funkeiro no final)

PS: Não deixem de ver a postagem que fiz em maio do ano passado sobre a união do popular e do erudito, numa tentativa de "viajar" na diversidade musical sugerida pela colega Maria do Roci aqui nos comentários do blog... Uma tentativa de fazer uma conexão entre o que recebo e aquilo que tenho a oferecer em termos musicais.
PS do PS: incluo aqui as músicas do muriaeense Alcyr Pires Vermelho




quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

GANHEI DE MEUS ALUNOS O MELHOR PRESENTE DO NATAL


AMIGO OCULTO AEROPORTO
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           Minha querida amiga blogueira, Jenny Horta, bem ao estilo de uma grande educadora que é, mandou uma mensagem de natal com estas significativas palavras de Gandhi: “Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”.
           Somos míopes a respeito das potencialidades de nossos semelhantes e quando só temos olhos para estas “gotas de água suja”, a visão fica estreita... só enxergamos sombras, e o medo limita, sobretudo, o nosso relacionamento social.
           Nas reuniões que antecederam o início das aulas do Projovem, apesar de todos saberem que iriam trabalhar em escolas de periferia, ninguém queria ir para o Aeroporto, já que é o bairro com a fama de ser um dos mais violentos aqui em Muriaé, e nós, os últimos convocados, acabamos quase todos designados para lá.
           Logo no início constatamos que aqueles temores tinham um fundo de verdade, já que tão logo começaram as aulas um aluno foi assassinado em disputa pelo controle do tráfico de drogas, um segundo preso por envolvimento também neste comércio ilícito, e dois outros foram “jurados” de morte, mas o que me impressionou mesmo foram comentários feitos por educadores que já atuam no bairro há muitos anos: “estavam esvaziando os pneus dos carros dos professores, conversei com o traficante e isso nunca mais aconteceu”, “Se mandarem fechar a escola, não discutam... fechem na hora”. Tudo isso é muito triste, tanto os fatos como os comentários... dão a sensação de impotência e realimentam um preconceito que segrega, indistintamente, “todos” os que moram em bairros de periferia e, como sempre, as maiores vítimas são os jovens... Alguns de meus alunos relataram que omitem o nome do bairro quando estão procurando emprego.
           Os efeitos desta violência reflete sempre na juventude mais pobre, até o temido “traficante” tem rosto, é de carne e osso, tem família, alguns assentam-se em banco de escola, tem dúvidas de conteúdo, querem estudar e melhorar de vida e, na verdade, não passam de uma peça frágil em uma hierarquia, cujo extremo oposto é comandado pelos grandes cartéis do tráfico internacional, que disputam entre si a manutenção e a conquista de novos "territórios", são eles que determinam a dominação pela violência nesta agressiva disputa que todos conhecemos pelos noticiários policiais, mas seus tentáculos também permeiam toda a sociedade, inclusive nos altos escalões da república, mas os temores e as ações preventivas da sociedade são desviadas e dirigidas quase sempre para as periferias, e é lá que o jovem pobre sofre as consequencias.
           Este jovem, mesmo quando não está diretamente relacionado às drogas, a coexistência com o crime afeta sua convivência social, quer seja para ir à escola, ao trabalho ou simplesmente para se divertir... é sempre visto como suspeito, pois diariamente a sociedade é induzida a fazer generalizações e, como na "história dos azulejos mal assentados", acabam aumentando, em escala nacional, o preconceito, um mal tão destrutivo quanto as drogas, e que sempre dificulta a solução de qualquer problema.
           Só comecei a compreender a grandiosidade do meu trabalho de educador quando estava selecionando algumas atividades de meus alunos para colocar no blog da escola, e não consegui conter as lágrimas, tanto pela história de vida de cada um, como pela vergonha da minha ignorância a respeito dos problemas e dificuldades daquelas pessoas que se tornaram tão próximas de mim, principalmente pela coragem e força para enfrentar e superar tantas adversidades.
           Alguém iluminado no governo federal concebeu o programa do Projovem, estabelecendo novas relações entre a escola e o trabalho, dando muito mais ênfase às potencialidades do que as vulnerabilidades de nossos jovens, mudando radicalmente a tradiconal prática pedagógica em relação a estas pessoas tão discriminadas pela dura realidade social em que vivem e, objetivamente, dando aos professores as condições necessárias para exercer seu trabalho à altura dos resultados que a sociedade espera, mostrando que esta é a abordagem revolucionária que estava faltando, e que até o nosso combalido ensino regular tem muito o que aprender.
           O sistema educacional sempre separou a teoria da prática, e a escola nunca acompanhou as mudanças que naturalmente ocorreram na sociedade, por isso, tornou-se necessária a criação uma política especifica para esta juventude, já que existem jovens que são mais excluídos que outros, políticas voltadas para torná-los cidadãos, e o programa do Projovem traduz esta necessidade, a maioria não teve uma boa experiência com a escola e, por isso, ficaram socialmente vulneráveis, daí a necessidade de uma política tão especial.
           Com o Projovem passei, efetivamente, a fazer parte das soluções... por isso nunca em minha vida me senti tão valorizado e integrado.
           Até as palavras mais comuns do natal ganharam outro significado para mim... Por isso quero desejar a todos, principalmente aos meus queridos alunos do bairro Aeroporto, meus professores de vida, um feliz natal e um ano novo com muita PAZ e muito AMOR.


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PARA MIM, “COLOR ESPERANZA”, DE DIEGO TORRES, É A LETRA QUE MELHOR TRADUZ O ESPÍRITO DO PROJOVEM (CLIPE COM MEUS COLEGAS DE CAPACITAÇÃO).

PS: Peço desculpas aos amigos que fizeram comentários recentemente. Não me lembrava que tinha configurado o blog para moderar os comentários. Estava até ficando desanimado com a ausência deles.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

MINHA MAIS ENRIQUECEDORA EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL E PESSOAL

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Tenho andado sumido em relação as postagens, estou vivenciado a minha mais enriquecedora experiência profissional.
Já estou escrevendo sobre o assunto, mas por enquanto vai só a nossa improvisação de teatro.
Visitem o blog

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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A não ser a conscientização a respeito da importância da data, este ano não tivemos eventos comemorativos como em anos anteriores.
Para que a data não passasse em branco aqui no blog, fiz uma cópia dos links das comemorações do ano passado.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

VOCAÇÃO


Latifúndio improdutivo, de difícil acesso,
marimbondos e espinhos na conquista do chão.
Doloridas estacas, arame farpado,
razões divididas em glebas passionais.
Abundantes canteiros que nutrem o destino,
cultivando descrenças em sobras totais.
Transgrido espaços em distâncias mentais;
arranco do peito limites banais.
A dor do sulcar no arar das entranhas,
me leva a pensar no mudar da semente.
Semente de vida, germinando razões,
forçando-me a querer cultivar corações

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

FINADOS

Dois anos atrás fiquei muito abalado com a morte de uma pessoa que sempre cuidou de mim com muito carinho, por isso, no dia de finados do ano passado resolvi publicar uma poesia para ela.
Como ainda estou comemorando o primeiro aniversário do blog, coloquei um link para aquela postagem.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DESIDEOLOGIZAR PARA NÃO AMARELAR



Este blogueiro em uma entrevista com o então Ministro da Educação Paulo Renato... Um dos temas: promoção por mérito na educação


           Com a reportagem sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez na Revista Veja do dia 07/10/2009, resolvi visitar seu blog e fiquei chocado com a agressividade, o palavreado e a hegemonia ideológica de seus frenquentadores habituais... como se fosse um disco de vinil arranhado a palavra que mais aparece é “esquerdeopata” e, em seguida vem... “grasnar”, verbo* usado para qualquer voz que ouse, por exemplo, dizer que não há diferença entre “esquerdopatas” e “direitopatas”.
           Alguns, mais assíduos, estão diuturnamente tirando plantão no blog, me lembraram aquele fantasma “dono” do metrô, no filme “Ghost, o outro lado da vida”, que não permitia que outro espírito frequentasse “suas” composições, dando a entender que passaria toda a eternidade, indo e vindo, fazendo sempre os mesmos trajetos.
           Apesar de sonhador, sou um pragmático eclético, por isso não canso de repetir a frase de
um artigo que escrevi aqui no blog: "(...) É ingenuidade pensar que algum sistema possa ser perfeitamente bom ou fatalmente ruim, por isso, independente de socialismo ou capitalismo, só acredito em política ou ideologias, quaisquer que sejam, se quem as estiver praticando for movido unicamente por 'elevados sentimentos de amor', e esta posição vale tanto para quem se coloca à 'esquerda' ou à 'direita' do razoável, por isso estou sempre procurando me livrar de verdades que em vez de somar, só dividem (...)".
           Se não fosse pragmático acreditaria no “Fim da História” de Francis Fukuyama e, apesar de não ser economista, sei que o capitalismo é o mais eficiente sistema na produção de riquezas, mas sua essência é baseada na ausência de regulamentação, e é exatamente esta a gênese das grandes crises sociais e econômicas que volta e meia abalam o mundo... O simples fato de já haver um consenso sobre a necessidade de se regulamentar os mercados para conter este liberalismo desenfreado, especulativo e egoísta, já é um indício de que a História ainda está longe deste apregoado fim, ao contrário, deve estar fazendo Adam Smith se revirar no túmulo, isto se ele já não estiver de ponta cabeça depois do maior Estado capitalista liberal do planeta ter injetado trilhões de dólares para, de forma indireta, "estatizar" as maiores companhias americanas, ação muito mais radical (à esquerda) do que as idéias de Lord Keynes usadas para resolver a “Crise de 1929.”
           Duas postagens atrás polemizei com um colega que passei admirar, e com o qual tenho muito mais convergências do que divergências, quando defendi a necessidade de se discutir, de forma ampla, alguns assuntos ligados à mudança na educação que são “tabus” em nosso meio.
           Como disse nesta postagem recente: “(...) as idéias são medidas pelas reações que provocam... se não tem valor, são ignoradas e passam despercebidas. Se provocam reações, então precisam ser esmiuçadas e debatidas exaustivamente, de preferência por uma quantidade maior de pessoas, por isso quis publicá-las aqui no blog (...).”
           Esta semana a Revista Veja fez uma entrevista com o ex-ministro e Secretário de Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato, o qual abordou temas “imexíveis” sobre os quais, além do que já falei no início sobre "desideologizar", e sobre corporativismo (24/09/2009) também fiz algumas reflexões sobre outros dois temas abordados: “meritocracia” e “autonomia pedagógica”.
           Sobre “meritocracia” dou o meu exemplo, não tenho, mas se tivesse mestrado ou doutorado de nada adiantaria como professor da rede pública do Estado do Rio de Janeiro, já que tenho duas pós-graduações e recebo um pequeno acréscimo no salário apenas por uma, isso sem falar que o Estado fica anos sem pagar este benefício aos novos pós-graduados, além não pagar um centavo a mais para quem tem mestrado ou doutorado... um desestimulo ao professor e uma falha de gestão para quem busca eficiência e resultado.
           Outro tema que me chamou atenção na entrevista foi quando o Secretário de São Paulo disse: “(...) uma idéia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer ciência pressupõe um método(...)”.
           Apesar de saber a idéia de alguns colegas a respeito do que chamam “Escola/Fábrica/Negócio”, lembrei do Senador Cristóvão Buarque falando sobre federalização do ensino na campanha das últimas eleições presidenciais: “Você já reparou que uma agência do Banco do Brasil é igualzinha em qualquer lugar que você for? O funcionário do Banco do Brasil ganha o mesmo salário, não importa a cidade rica ou pobre onde ele trabalha e o método de trabalho é o mesmo de norte a sul do país... Por que isso não acontece na educação?"
           Não tenho conhecimento catedrático ou competência suficiente para defender ou não a autonomia pedagógica, mas acho que as Secretarias de Educação deveriam ser mais específicas e planejar com mais cuidado os conteúdos ministrados nas escolas, contando, para isso, com ajuda de universidades federais e estaduais; ao contrário do que ocorre atualmente (no Estado do Rio), em que de tempos em tempos, os professores escolhem livros didáticos entre dezenas de editoras, cada um completamente diferente do outro e, ao final, sem nenhuma padronização, cada escola adota um livro diferente.
           Se não fosse assim, poderiam criar um sistema de avaliação mais específico, com a própria Secretaria de Educação preparando estas avaliações, por série, de acordo com o conteúdo, avaliando continuamente o rendimento dos alunos e, paralelamente, mensurando a eficiência do professor, aí sim, os incentivos poderiam vir por mérito e competência.
           Sei que não existe consenso sobre estes assuntos, mas é preciso dar opinião e, de acordo com os argumentos, ir aperfeiçoando ou até mudando nossas idéias, o que não podemos é ficar reproduzindo indefinidadmente o que aí está, baseado em conceitos ultrapassados, e deixar de usar um mínimo de criatividade para melhorar a educação do nosso país.
           Vale a pena conferir a
entrevista.



* Tinha colocado "adjetivo"... Ainda bem que estou sempre relendo o que escrevo. Fico pensando em quanta besteira que vejo e não enxergo que ainda estão por aí. Mas tenho consciência que isso só acontece com quem se expõe. (06/01/2010).